Truco mineiro e truco paulista: as diferenças na mesa

Sentou numa mesa mineira sabendo só o paulista? O baralho é o mesmo, mas a manilha não muda, a contagem pode ser outra e a mão de ferro é no escuro. Veja as diferenças, ponto por ponto.

Variantes7 min de leituraAtualizado em 17 de outubro de 2026
Resposta rápidaA maior diferença está nas manilhas. No truco paulista, a vira define a manilha a cada mão. No truco mineiro, as manilhas são fixas: 4 de paus (zap), 7 de copas, ás de espadas (espadilha) e 7 de ouros (pica-fumo). A contagem também muda em muitas mesas mineiras: a mão vale 2 e os pedidos vão a 4, 6, 10 e 12, com a mão de dez no lugar da mão de onze. Isso varia de mesa para mesa.

Mesmo baralho, outra mesa

Truco é o jogo de cartas mais popular do Brasil, e cada região joga do seu jeito. As duas formas mais conhecidas são o truco paulista, de São Paulo e de boa parte do país, e o truco mineiro, de Minas Gerais. Quem aprendeu uma senta na mesa da outra e reconhece quase tudo: três cartas na mão, três rodadas, pedidos de truco, sinais para o parceiro e partida até 12.

O que muda são poucos detalhes, mas detalhes que decidem a mão. Conferimos as regras do truco mineiro em duas fontes, citadas no fim. Onde elas divergem, dizemos que varia de mesa para mesa, porque no bar a turma combina antes de dar as cartas.

As diferenças lado a lado

Truco paulistaTruco mineiro
Baralho40 cartas, sem 8, 9 e 1040 cartas, sem 8, 9 e 10
ViraSim, uma por mãoNão tem
ManilhasA carta seguinte à vira, nos 4 naipesFixas: 4 de paus, 7 de copas, ás de espadas e 7 de ouros
Cartas comuns4, 5, 6, 7, Q, J, K, A, 2, 34, 5, 6, 7, Q, J, K, A, 2, 3, fora as 4 manilhas
A mão vale12 na contagem mais comum; 1 em algumas mesas
PedidosTruco 3, seis 6, nove 9, doze 12Truco 4, seis 6, dez 10, doze 12; ou 3, 6, 9 e 12
Mão decisivaMão de onzeMão de dez ou mão de onze, conforme a contagem
Mão de ferroOs dois lados em 11Os dois lados em 10 ou em 11, jogada no escuro
Carta cobertaNão vale na 1ª rodadaNão vale na 1ª rodada
JogadoresDuplas no bar; trios no Truco de 6Duplas, com os parceiros frente a frente

Manilha fixa ou manilha com vira

É a diferença que mais confunde quem troca de mesa. No truco paulista, depois de dar as cartas, o pé vira uma carta do monte. A carta seguinte a ela na ordem de força é a manilha daquela mão, e ela muda a cada distribuição. Virou 7, as damas são manilha. O artigo sobre vira e manilhas tem a tabela completa.

No truco mineiro não existe vira. As quatro manilhas são sempre as mesmas cartas, da mais forte para a mais fraca:

  1. 4 de paus, o zap.
  2. 7 de copas, chamado de copas ou escopeta.
  3. Ás de espadas, a espadilha.
  4. 7 de ouros, o pica-fumo.

Repare que a ordem dos naipes é a mesma nas duas variantes: paus, copas, espadas e ouros, com os mesmos apelidos. O que muda é a carta que carrega cada apelido. Por isso a manilha do paulista às vezes é chamada de manilha nova, e a do mineiro, de manilha velha.

Abaixo das manilhas, as cartas comuns seguem a mesma ordem nas duas mesas: 4, 5, 6, 7, dama, valete, rei, ás, 2 e 3. A ordem das cartas no truco paulista explica a escada carta por carta. No mineiro, a única diferença é que os quatro naipes de manilha saem da lista comum: o 4 de paus é zap, mas os outros 4 continuam sendo as cartas mais fracas do baralho.

A contagem: de 1 em 1 ou de 2 em 2

Aqui as fontes divergem, e as mesas também. A contagem mais citada para o truco mineiro começa a mão valendo 2 pontos. O truco leva a 4, o seis a 6, o dez a 10 e o doze a 12, que fecha a partida.

Outra parte das mesas mineiras usa a mesma escada do paulista: mão valendo 1, truco 3, seis 6, nove 9 e doze 12. Uma das fontes trata essa como a contagem principal e a de 2 em 2 como variação. Na prática, varia de mesa para mesa, e vale perguntar antes da primeira mão. A tabela de quanto vale cada pedido no truco mostra a escada do paulista em detalhe.

Dica de mesaAntes de sentar numa mesa mineira, pergunte três coisas: a mão vale 1 ou 2, o terceiro pedido é nove ou dez, e a mão de ferro é no escuro. Com isso combinado, o resto é o truco que você já conhece.

Mão de dez, mão de onze e mão de ferro

A contagem muda o momento decisivo da partida. No paulista, quando um lado chega a 11, joga-se a mão de onze: o lado com 11 vê as cartas dos parceiros e decide se joga, valendo 3, ou se corre, dando 1 ao adversário. Ninguém pede truco.

No mineiro de 2 em 2, o mesmo papel fica com a mão de dez. O lado com 10 decide antes de jogar, a mão vale 4 e correr entrega 2 ao adversário. Pedir truco nessa mão é proibido nas duas variantes, e a punição varia de mesa para mesa: tem mesa que tira um ponto e tem mesa que dá a partida ao adversário.

A mão de ferro acontece quando os dois lados chegam juntos ao ponto decisivo. No mineiro, as duas fontes concordam: ela é jogada no escuro. Ninguém olha as próprias cartas, cada um vira a carta de cima na sua vez, e quem vencer leva a partida. É sorte pura, de propósito. No Truco de 6, a mão de ferro é jogada com as cartas abertas na mão de cada um, sem truco. O guia de mão de onze e mão de ferro explica a versão paulista.

O que fica igual

Muita coisa atravessa a divisa sem mudar:

  • Três rodadas por mão. Quem fizer duas leva a mão.
  • Empate de rodada. Se uma rodada empata, leva a mão quem ganhou ou ganhar outra rodada. As três empatadas, ninguém pontua. Em Minas, a rodada empatada tem nomes próprios, como melar e embuchar. Quem abre a rodada seguinte ao empate varia de mesa para mesa.
  • Carta coberta. Nas duas variantes, a carta virada para baixo não vale na rodada e não pode ser jogada na primeira.
  • Sinais. Nas duas, os parceiros combinam gestos para contar o que têm. Os sinais do truco mostram a tabela tradicional do paulista.
  • Partida até 12. O placar pode subir de 1 em 1 ou de 2 em 2, mas o alvo é o mesmo.

Qual escolher

Não existe truco certo e truco errado. Existe a regra da mesa. A manilha fixa deixa o jogo mais previsível e valoriza a memória: todo mundo sabe que o 4 de paus está no baralho em toda mão. A vira deixa cada mão diferente e premia quem faz a conta rápido.

O Truco de 6 joga o paulista, com vira, em dois trios de três. Se você vem do mineiro, a adaptação leva duas ou três mãos: a mesa mostra a manilha da vez junto do monte e marca na carta quem está ganhando a rodada. Jogue uma partida grátis no navegador e sinta a diferença na prática.

Fontes

As regras do truco mineiro deste artigo foram conferidas em:

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre truco mineiro e truco paulista?

No paulista, a vira define a manilha a cada mão. No mineiro, as manilhas são fixas: 4 de paus, 7 de copas, ás de espadas e 7 de ouros. Muitas mesas mineiras também contam de 2 em 2, com a mão valendo 2 e o truco valendo 4.

Quais são as manilhas do truco mineiro?

Da mais forte para a mais fraca: 4 de paus (zap), 7 de copas, ás de espadas (espadilha) e 7 de ouros (pica-fumo). Elas não mudam de uma mão para outra.

No truco mineiro tem vira?

Não. Como as manilhas são fixas, ninguém vira carta para definir a manilha.

Quanto vale o truco no truco mineiro?

Varia de mesa para mesa. Na contagem mais comum em Minas, a mão vale 2, o truco 4, o seis 6, o dez 10 e o doze 12. Outras mesas usam a mesma escada do paulista: 1, 3, 6, 9 e 12.

O Truco de 6 joga truco mineiro?

Não. O Truco de 6 joga truco paulista, com vira e manilha que muda a cada mão, em dois trios de três.