Mesmo baralho, outra mesa
Truco é o jogo de cartas mais popular do Brasil, e cada região joga do seu jeito. As duas formas mais conhecidas são o truco paulista, de São Paulo e de boa parte do país, e o truco mineiro, de Minas Gerais. Quem aprendeu uma senta na mesa da outra e reconhece quase tudo: três cartas na mão, três rodadas, pedidos de truco, sinais para o parceiro e partida até 12.
O que muda são poucos detalhes, mas detalhes que decidem a mão. Conferimos as regras do truco mineiro em duas fontes, citadas no fim. Onde elas divergem, dizemos que varia de mesa para mesa, porque no bar a turma combina antes de dar as cartas.
As diferenças lado a lado
| Truco paulista | Truco mineiro | |
|---|---|---|
| Baralho | 40 cartas, sem 8, 9 e 10 | 40 cartas, sem 8, 9 e 10 |
| Vira | Sim, uma por mão | Não tem |
| Manilhas | A carta seguinte à vira, nos 4 naipes | Fixas: 4 de paus, 7 de copas, ás de espadas e 7 de ouros |
| Cartas comuns | 4, 5, 6, 7, Q, J, K, A, 2, 3 | 4, 5, 6, 7, Q, J, K, A, 2, 3, fora as 4 manilhas |
| A mão vale | 1 | 2 na contagem mais comum; 1 em algumas mesas |
| Pedidos | Truco 3, seis 6, nove 9, doze 12 | Truco 4, seis 6, dez 10, doze 12; ou 3, 6, 9 e 12 |
| Mão decisiva | Mão de onze | Mão de dez ou mão de onze, conforme a contagem |
| Mão de ferro | Os dois lados em 11 | Os dois lados em 10 ou em 11, jogada no escuro |
| Carta coberta | Não vale na 1ª rodada | Não vale na 1ª rodada |
| Jogadores | Duplas no bar; trios no Truco de 6 | Duplas, com os parceiros frente a frente |
Manilha fixa ou manilha com vira
É a diferença que mais confunde quem troca de mesa. No truco paulista, depois de dar as cartas, o pé vira uma carta do monte. A carta seguinte a ela na ordem de força é a manilha daquela mão, e ela muda a cada distribuição. Virou 7, as damas são manilha. O artigo sobre vira e manilhas tem a tabela completa.
No truco mineiro não existe vira. As quatro manilhas são sempre as mesmas cartas, da mais forte para a mais fraca:
- 4 de paus, o zap.
- 7 de copas, chamado de copas ou escopeta.
- Ás de espadas, a espadilha.
- 7 de ouros, o pica-fumo.
Repare que a ordem dos naipes é a mesma nas duas variantes: paus, copas, espadas e ouros, com os mesmos apelidos. O que muda é a carta que carrega cada apelido. Por isso a manilha do paulista às vezes é chamada de manilha nova, e a do mineiro, de manilha velha.
Abaixo das manilhas, as cartas comuns seguem a mesma ordem nas duas mesas: 4, 5, 6, 7, dama, valete, rei, ás, 2 e 3. A ordem das cartas no truco paulista explica a escada carta por carta. No mineiro, a única diferença é que os quatro naipes de manilha saem da lista comum: o 4 de paus é zap, mas os outros 4 continuam sendo as cartas mais fracas do baralho.
A contagem: de 1 em 1 ou de 2 em 2
Aqui as fontes divergem, e as mesas também. A contagem mais citada para o truco mineiro começa a mão valendo 2 pontos. O truco leva a 4, o seis a 6, o dez a 10 e o doze a 12, que fecha a partida.
Outra parte das mesas mineiras usa a mesma escada do paulista: mão valendo 1, truco 3, seis 6, nove 9 e doze 12. Uma das fontes trata essa como a contagem principal e a de 2 em 2 como variação. Na prática, varia de mesa para mesa, e vale perguntar antes da primeira mão. A tabela de quanto vale cada pedido no truco mostra a escada do paulista em detalhe.
Mão de dez, mão de onze e mão de ferro
A contagem muda o momento decisivo da partida. No paulista, quando um lado chega a 11, joga-se a mão de onze: o lado com 11 vê as cartas dos parceiros e decide se joga, valendo 3, ou se corre, dando 1 ao adversário. Ninguém pede truco.
No mineiro de 2 em 2, o mesmo papel fica com a mão de dez. O lado com 10 decide antes de jogar, a mão vale 4 e correr entrega 2 ao adversário. Pedir truco nessa mão é proibido nas duas variantes, e a punição varia de mesa para mesa: tem mesa que tira um ponto e tem mesa que dá a partida ao adversário.
A mão de ferro acontece quando os dois lados chegam juntos ao ponto decisivo. No mineiro, as duas fontes concordam: ela é jogada no escuro. Ninguém olha as próprias cartas, cada um vira a carta de cima na sua vez, e quem vencer leva a partida. É sorte pura, de propósito. No Truco de 6, a mão de ferro é jogada com as cartas abertas na mão de cada um, sem truco. O guia de mão de onze e mão de ferro explica a versão paulista.
O que fica igual
Muita coisa atravessa a divisa sem mudar:
- Três rodadas por mão. Quem fizer duas leva a mão.
- Empate de rodada. Se uma rodada empata, leva a mão quem ganhou ou ganhar outra rodada. As três empatadas, ninguém pontua. Em Minas, a rodada empatada tem nomes próprios, como melar e embuchar. Quem abre a rodada seguinte ao empate varia de mesa para mesa.
- Carta coberta. Nas duas variantes, a carta virada para baixo não vale na rodada e não pode ser jogada na primeira.
- Sinais. Nas duas, os parceiros combinam gestos para contar o que têm. Os sinais do truco mostram a tabela tradicional do paulista.
- Partida até 12. O placar pode subir de 1 em 1 ou de 2 em 2, mas o alvo é o mesmo.
Qual escolher
Não existe truco certo e truco errado. Existe a regra da mesa. A manilha fixa deixa o jogo mais previsível e valoriza a memória: todo mundo sabe que o 4 de paus está no baralho em toda mão. A vira deixa cada mão diferente e premia quem faz a conta rápido.
O Truco de 6 joga o paulista, com vira, em dois trios de três. Se você vem do mineiro, a adaptação leva duas ou três mãos: a mesa mostra a manilha da vez junto do monte e marca na carta quem está ganhando a rodada. Jogue uma partida grátis no navegador e sinta a diferença na prática.
Fontes
As regras do truco mineiro deste artigo foram conferidas em:
- MegaJogos, Regras do jogo Truco Mineiro.
- John McLeod, Pagat, Brazilian Truco, com as seções Truco Mineiro e Truco Paulista.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre truco mineiro e truco paulista?
No paulista, a vira define a manilha a cada mão. No mineiro, as manilhas são fixas: 4 de paus, 7 de copas, ás de espadas e 7 de ouros. Muitas mesas mineiras também contam de 2 em 2, com a mão valendo 2 e o truco valendo 4.
Quais são as manilhas do truco mineiro?
Da mais forte para a mais fraca: 4 de paus (zap), 7 de copas, ás de espadas (espadilha) e 7 de ouros (pica-fumo). Elas não mudam de uma mão para outra.
No truco mineiro tem vira?
Não. Como as manilhas são fixas, ninguém vira carta para definir a manilha.
Quanto vale o truco no truco mineiro?
Varia de mesa para mesa. Na contagem mais comum em Minas, a mão vale 2, o truco 4, o seis 6, o dez 10 e o doze 12. Outras mesas usam a mesma escada do paulista: 1, 3, 6, 9 e 12.
O Truco de 6 joga truco mineiro?
Não. O Truco de 6 joga truco paulista, com vira e manilha que muda a cada mão, em dois trios de três.